Principais pré-candidatos Jerônimo Rodrigues e ACM Neto já formaram suas chapas com definição dos respectivos candidatos a vice, após negociações intensas.
A corrida eleitoral para o governo do Estado da Bahia, em 2026, começa a ganhar contornos mais claros com as definições das chapas de situação e oposição. Ainda que em formato de pré-candidaturas, já que as candidaturas devem ser oficializadas no mês de agosto, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aparentemente, há poucas chances de mudança nos formatos definidos nos últimos dias.
O Chapada News fez um resumo atualizado das chapas de situação e oposição na Bahia, confira.
- Jerônimo Rodrigues (PT) – 61 anos (aniversário em 3 de abril de 2026)
- Busca reeleição após assumir o governo em 2023
- Ex-secretário estadual de Educação da Bahia (2015-2022)
- Geraldo Júnior (MDB) – 56 anos, atual vice-governador
- Formado em Direito pela UCSal, pós-graduado em Processo Civil
- Ex-presidente da Câmara Municipal de Salvador (2019-2022)
- Iniciou carreira pública em 1993 na gestão de Lídice da Mata
- Rui Costa (PT) – Ministro da Casa Civil do governo Lula
- Ex-governador da Bahia (2015-2022)
- Deixa o ministério para concorrer ao Senado
- Lidera pesquisas com 27% das intenções de voto (Real Time Big Data, março/2026)
- Jaques Wagner (PT) – Senador em exercício, busca reeleição
- Ex-governador da Bahia (2007-2014)
- Ex-ministro da Defesa (2015-2016) e Casa Civil (2016-2018)
- Tem 21% das intenções de voto nas pesquisas
O anúncio oficial da chapada de Jerônimo Rodrigues nas eleições de 2026 foi feito em 3 de abril de 2026 (aniversário do governador Jerônimo), na Arena Fonte Nova, em Salvador, logo após visita do presidente Lula à Bahia (2 de abril).
A chapa representa a base governista composta pelo PT (partido de Jerônimo Rodrigues, Rui Costa e Jaques Wagner), MDB (partido de Geraldo Júnior) e PSD (apoio confirmado pelo senador Otto Alencar).
Aparentemente, a estratégia Política é de manutenção da “Dobradinha Vitoriosa”, já que mantém a mesma chapa que venceu em 2022 (Jerônimo+ Geraldo Júnior), busca demonstrar estabilidade, sinalizando continuidade administrativa e política, e experiência, já que ambos trabalham juntos há 4 anos. A decisão estratégica pode ter sido a manutenção da Chapa “Puro-Sangue” petista, o que ocasionou a saída de Ângelo Coronel (PSD), que migrou para oposição (Republicanos). A justificativa é de fortalecimento da identidade partidária.
As negociações não foram simples, ocorreram em um processo longo, sendo que a última semana foi de intensas negociações dentro do PT. Muitos nomes foram sugeridos para vice, como Ivana Bastos (PSD), atual presidente da Assembleia Legislativa da Bahia e Elmar Nascimento (União Brasil). Nos bastidores, foi constatada uma forte pressão do MDB, já que Geddel Vieira Lima exigiu manutenção do partido na vice. Inicialmente, o nome de Geraldo Junior teria sido reprovado por Rui Costa, que estava compondo o governo federal como Ministro da Casa Civil, mas renunciou para se oficializar como pré-candidato ao Senado Federal pela Bahia nas eleições de 2026.
No final desta semana, o atual governo do Estado da Bahia anunciou uma reforma no Secretariado para cumprir prazos eleitorais, Jerônimo realizou mudanças estratégicas, quando nove secretários saíram para disputar eleições. De acordo com o governo, a mudança foi necessária para desincompatibilização, cumprindo prazos legais eleitorais, continuidade administrativa, pensando em garantir funcionamento do governo e equilíbrio político, com vistas a manutenção da representatividade dos partidos aliados.
- Agricultura: Pablo Barrozo → Vivaldo Góis de Oliveira
- Desenvolvimento Rural: Osni Cardoso → Elisabete Costa
- Desenvolvimento Urbano: Jusmari Oliveira → Joaquim Belarmino Cardoso Neto
- Educação: Rowenna Brito → Luciana Menezes (interina)
- Infraestrutura Hídrica: Larissa Moraes → Marise Prado de Oliveira Chastinet
- Junta Comercial: → Ramon de Almeida Bagano Guimarães
- Políticas para Mulheres: Neuza Cadore → Camilla Batista
- Desenvolvimento Econômico: Angelo Almeida → Aécio Moreira do Nascimento (interino)
- Casa Civil: Afonso Florence → Carlos Melo
A construção do fortalecimento da base governista parece ser o maior impacto da construção dessa chapa, que busca se referenciar em uma memória eleitoral positiva, capitalizando vitória de 2022 quando o atual governador teve 56,39% dos votos válidos. Além disso, a unidade se mantém, com a permanência do MDB na coalizão após negociações e, embora com algumas tensões, o PSD também se mantém, até o momento, alinhado, já que Otto Alencar confirma apoio à chapa petista.
Os maiores desafios parecem ser a perda de Ângelo Coronel, que como figura importante da base migrou para oposição e pode ser um fator de articulação importante para a oposição, as pesquisas desfavoráveis diante de incertezas quanto à definição do vice e pressão por resultados, já que governo precisa mostrar conquistas da gestão. Nesse campo, é a primeira vez desde Wagner, que oposição apresenta uma chapa unificada e relativamente forte.
Como estratégia e pontos de força, estão a experiência tanto do atual gestor, que está à frente do governo há quatro anos, a possibilidade de continuidade das políticas, o fortalecimento declarado da bancada petista no legislativo e sobretudo a articulação nacional com o governo Lula.
- ACM Neto (União Brasil) – 47 anos, vice-presidente nacional do partido
- Formado em Direito, ex-deputado federal (3 mandatos), ex-prefeito de Salvador (2 mandatos)
- Esta será sua segunda tentativa ao governo da Bahia
- Zé Cocá (PP) – 49 anos, prefeito de Jequié
- Formado em Gestão Pública, ex-prefeito de Lafaiete Coutinho (2 mandatos), ex-deputado estadual
- Deixa a prefeitura de Jequié em 2 de abril de 2026 para concorrer
- Ângelo Coronel (Republicanos) – Senador em exercício, busca reeleição
- Engenheiro civil formado pela UFBA
- Ex-prefeito de Coração de Maria, ex-deputado estadual (5 mandatos), ex-presidente da ALBA
- Rompeu com o grupo governista após decisão do PT de montar chapa “puro-sangue”
- João Roma (PL) – Presidente do PL na Bahia
- Formado em Direito, ex-ministro da Cidadania (2021-2022)
- Ex-deputado federal (2018), ex-chefe de gabinete da Prefeitura de Salvador
- Disputou o governo da Bahia em 2022
O anúncio oficial da chapa foi feito em 30 de março de 2026, no teatro da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Feira de Santana. A chapa representa uma aliança de oposição composta pelo União Brasil (partido de ACM Neto), PP (partido de Zé Cocá), PL (partido de João Roma) e Republicanos (partido de Ângelo Coronel). A coalizão se posiciona como oposição ao governo de Jerônimo Rodrigues (PT), tendo Angelo Coronel migrado do PSD (base governista) para os Republicanos para integrar essa oposição, decisão que ocorreu após o PT optar por montar chapa própria. Segundo pesquisas recentes, a chapa vem conquistando posições nas intenções de voto.
Como estratégia política, a aposta parece ser na força eleitoral no sudoeste baiano, oferecida por Zé Cocá, numa possível experiência administrativa, ainda que em esfera municipal, já que ambos os candidatos a governador e vice tem experiência como prefeitos, além da união de quatro partidos de centro-direita e um visível foco em Feira de Santana, já que o lançamento se deu nesta localidade, provavelmente com vistas a chamar a atenção do interior. A formação ultrapassa um distanciamento antigo entre ACM Neto e João Roma.
Esta chapa configura uma das principais forças de oposição na Bahia para 2026, sendo quase uma reconfiguração da oposição, que se mostra unificada pela primeira vez desde 2022. Nas eleições anteriores, o que se viu foi uma fragmentação da oposição. A aposta da chapa é em uma pequena possibilidade de ruptura de alianças da base governista, como a que ocorreu com Ângelo Coronel, que foi considerada uma derrota política para o PT na Bahia.
A formação busca alinhamento com centro-direita nacional, buscando se conectar com coalizões similares em outros estados e prevendo que, para 2028, o nome de ACM Neto poderia surgir como possível articulador nacional da oposição.
No entanto, de forma mais concreta e previsível, o líder da chapa pretende no momento manter a base eleitoral que construiu em 2022 e agregar as estruturas dos partidos de coalizão. Em relação ao timing, o grupo saiu na frente apenas alguns dias, buscando consolidar mais rapidamente o formato da oposição.
Os grandes desafios serão mostrar, de fato, que o candidato ACM Neto teve uma evolução em relação a sua derrota anterior e conquistar eleitores fiéis do PT, que tem longa tradição na Bahia. Os quatro partidos, embora coadunem em alguns pontos, têm interesses distintos, o que pode aparecer como empecilho para decisões em algum momento, o que faz a manutenção dessa coalizão necessitar de cautela e esforço. O maior desafio será a apresentação de uma proposta clara de alternância que atenda a todos os interesses.
No âmbito das forças, é possível que a chapa também ajude candidaturas legislativas, o que pode contribuir para uma maior pressão sobre o governo. A dupla Coronel e Roma mescla experiência conexões nacionais, algo com que a chapa conta para diminuir a vantagem do PT frente à articulação com o governo federal.
A existência da chapa pode representar um possível desafio à hegemonia petista na Bahia em décadas, já que pode reconfigurar o campo oposicionista de forma mais duradoura. Essa nova dinâmica mexe em estratégias eleitorais e expectativas da população, seja com ânimo renovado diante de novas possibilidades, seja com receio de uma transição governamental que seja prejudicial aos interesses da maioria dos cidadãos.